I'll be posting some photos of my stay at the Oahu island

Tuesday, August 29, 2006

Insólitos

Segunda-feira andei novamente a brincar com a base de dados. Já estou cada vez mais à vontade e já consigo "sacar" umas coisas engraçadas. À tarde peguei num livro e fui dar uma volta por Coconut, parando aqui e ali para dar um mergulho. O dia estava super quente, como todos estes últimos, e a água sempre ajudava a refrescar um pouco, não muito porque a temperatura da água ronda os 27º. Quando estava sentado na relva, ao pé da "beach house", a ler o meu livro, caiu um coco não muito longe de mim (menos de 3m). Olhei para cima e vi que nas imediações havia ainda bastantes cocos a uma altura pouco segura e por isso decidi "abrigar-me" debaixo do telhado da "beach house" e por ali fiquei a ler mais um pouco.


E já agora para quem como eu tinha algumas dúvidas aqui fica: "É comum a grafia côco, que está, no entanto errada. As palavras portuguesas paroxítonas (ou graves) terminadas em vogal não carecem de acento, excepto se terminarem em ditongo".

Ontem até a "barraca" abanou. E não estou a falar de nenhuma mega festa de despedida pois continuo praticamente sozinho em Coconut. O que se passou foi mesmo um sismo! Foi curto mas deu para sentir. Até hoje ter falado com mais pessoas fiquei com a ideia que poderia ter sido devido a um avião que passou mesmo muito baixo nessa altura (aposto que te vais rir Ritinha!).

Hoje como já vem sendo hábito às terças-feiras, fui até Hanauma bay com a Ling. Fomos mais uma vez mergulhar, mas desta vez na parte de fora da baía. O mar não estava grande coisa, muito vento e alguma ondulação mas a visibilidade estava muito boa e o sítio é bastante diferente do que já tinha visto por aqui. No fim fiquei com pena por não ter feito os mergulhos no sábado. É que no sábado os mergulhos estavam previstos para os lados de Hanauma bay (fora da baía) e o sítio e a visibilidade são mesmo muito bons. De qualquer modo os cerca de 35 minutos que estive hoje lá em baixo já souberam muito bem e foi melhor que nada. Ainda por cima foram à borla!


E agora uma coisa que eu já estava à espera há muito tempo. Hoje de manhã quando apanhei o barco para sair de Coconut (às 7h da matina!!) falei um pouco com um dos seguranças. Perguntou-me com quem estava a trabalhar e quando me ia embora para casa. Depois, claro, perguntou-me onde era a minha casa. Eu disse Portugal e a resposta foi "ah, e como estão as coisas com o furacão?", ao princípio não estava a perceber e até fiquei "preocupado" mas depois lembrei-me que tinha visto as notícias antes de sair e em lado de nenhum se falava de um furacão em Portugal. Disse-lhe que devia estar a fazer confusão porque não havia nenhum furacão perto de Portugal. A surpresa dele foi total e finalmente fui confrontado com uma pergunta que já esperava há algum tempo, "então aonde fica Portugal?". Lá lhe expliquei que somos um pequeno país ao lado de Espanha, na Europa. A ideia dele era que Portugal era uma ilha ao largo da Florida!

Sunday, August 27, 2006

Já só faltam 5 dias....

Sábado acabei por não ir mergulhar porque o mergulho foi cancelado. Tive imensa pena porque o tempo estava óptimo e a visibilidade também. Aparentemente não tinham mais clientes, embora a desculpa que me deram foi que o dive master estava doente. Não fiquei muito triste, porque sempre poupei uns trocos e arranjei outros programas. Além disso vou mergulhar na 3ª feira e à borla. No fundo acabei por não poupar o dinheiro porque entrei na loja ao lado, comprei uma série de coisas e acabei por gastar o dinheiro outra vez. Não tem grande importância, pois além de serem coisas que me faziam faltam e de serem mais baratas aqui, as finanças estão de boa saúde. Agora que já tenho as contas todas feitas acho que me portei bastante bem, mesmo com a compra do material de kite e outras coisas.

Basicamente é assim que acordo todos os dias. Esta é a vista da minha cama e como não estou habituado, acordo todos os dias com o nascer do sol. Acreditem que com uma vista destas nem me importo muito apesar de ser antes das 6 da manhã.


À falta de mergulho acabei por ir até à North shore, de autocarro, para ir reaver o dinheiro e dar um último adeus àquela zona. Depois disso juntei-me ao resto dos "locais", Emilie e amigos, para um fim de tarde em Sandy beach, seguido de um barbecue. Foi um fim de tarde muito bem passado.


No domingo de manhã fui com a Emilie até ao skate park para andar de BMX. Ela tem uma daquelas próprias para os skate parks, super resistentes, e até faz uns truques. Não ficámos por lá muito tempo pois o calor era insuportável e eu tinha novamente regatas. Não soprava uma brisa mas já sabemos como são estas coisas, e passando umas horas já estava um ventinho jeitoso.



A regata em si não correu muito bem, pois no fim apercebemo-nos que o quebra-cabeças não tinha sido resolvido como deve ser e portanto não tinhamos feito o percurso correcto. No entanto, não deixou de ser uma tarde bem passada, onde deu para conhecer uma série de pessoas novas. No fim da regata houve um barbecue excelente e a habitual confraternização, tão típica das regatas.

Portanto, como podem constatar o fim de semana foi uma correria, com tantas actividades e só agora me apercebi que apenas faltam 5 dias para deixar o Hawaii.

Friday, August 25, 2006

Só faltava mesmo andar à vela!

Estes dois últimos dias tenho-me concentrado mais no tratamento dos dados e já tenho alguns resultados. Finalmente consegui perceber onde estava o erro na base de dados no Access e já consegui andar para a frente. Aparentemente não existe uma relação muito significativa entre a fase da lua e a movimentação do peixe em causa. De qualquer modo apenas analisei um mês e ainda é preciso olhar com mais olhos de ver para os gráficos que fiz.


Ontem ainda fui com a Emilie e uma amiga passear um cão que ela está a tomar conta. É um labrador super bem ensinado, é impressionante como responde tão bem a pessoas que nunca tinha visto. Fomos até Manauwili, onde existe aquela queda de água onde já tinha ido uma vez com o resto da malta. Foi muito bom porque tinha passado a manhã de volta do computador a tentar desvendar os segredos da base de dados. E com o calor que estava aquela água bem fresca soube mesmo bem. Só a chuvada que apanhámos mal saímos da água é que não veio muito a calhar mas paciência, de qualquer maneira passado pouco tempo já estava tudo seco novamente.



Hoje depois de finalmente ter conseguido "dominar" a base de dados em Access e ter conseguido "sacar" a informação que queria para fazer uns gráficos fui fazer uma regata aqui na baía de Kaneohe.

Pelos vistos a Ling também gosta de andar à vela, embora ainda seja uma principiante, e por isso perguntou-me se não queria ir até ao clube naval ver se arranjávamos lugar num barco. Ao principio não estava a ser muito fácil, todos os barcos estavam com a tripulação certa e ainda por cima não havia muito vento pelo que mais peso nem pensar. Lá arranjámos um barco porreiro, um J33, e fomos. A regata foi mais numa de descontração, para saber o percurso era preciso desvendar um quebra-cabeças! A largada também foi muito atípica, os barcos estavam todos lado a lado num pontão e iam largando pelo "rating", o nosso foi o penúltimo a largar. O quebra-cabeças foi rapidamente resolvido e lá fomos nós atrás dos barcos que ainda seguiam à nossa frente. Apesar do ambiente ser muito descontraído lá fomos subindo na classificação, embora sem ter a certeza absoluta se o percurso era o correcto. Fiquei com a ideia de que quando acabámos apenas havia 1 ou 2 barcos à nossa frente mas não percebi muito bem se aquela ia ser a classificação final ou se ainda havia algumas contas a fazer. O resto da tripulação era 5 estrelas, deu para beber umas cervejinhas a bordo durante a regata e pelos vistos fizémos um bom trabalho pois fomos convidados para a regata de domingo.


Portanto como vêem parece que ando tanto ou mais ocupado desde que o resto da malta se foi embora. Amanhã vou para o mar com o Jon tentar apanhar mais raias e acabar umas coisas que ainda quero ver nos dados. Sábado tenho os tão desejados mergulhos e no domingo tenho as regatas! Vamos ver se consigo fazer tudo o que ainda tenho planeado antes de me ir embora é que já só falta uma semana!!

Tuesday, August 22, 2006

Duatlo em Hanauma Bay


Sendo terça-feira foi dia de mais umas "provas" em Hanauma Bay. Hoje para além da amostragem com os famosos quadrados, desta vez efectuados em apneia, houve também uma prova de kayak. Fizémos um pouco de telemetria activa, ou seja, tinhamos um receptor e um hidrofone a bordo dum kayak e andámos à procura do último peixe marcado. Lá andei eu de um lado para o outro da baía, felizmente sempre do lado de dentro do recife, à procura do dito. Houve três sítios em que detectámos sinais mas como o receptor não é dos mais modernos e como as características do local, com muitos buracos, não ajudam não conseguimos ter a certeza se era o peixe em questão e qual o sítio por onde andava. A próxima tarefa vai ser colocar estações subaquáticas de monitorização por curtos períodos, cerca de 2 horas, nos três locais detectados, para ver se descobrimos o sítio exacto por onde anda este peixe.


Hanauma está a tornar-se o meu "health club"! Hoje para além da natação e apneia ainda devo ter feito uns 2 kms de kayak, com o material e por vezes a Ling em cima! Claro que no meio de tantas remadas ainda deu para curtir um pouco e até para apanhar algumas ondinhas. Só não achei muita piada quando apanhei uma mas no sentido contrário, ou seja, vim de costas durante uns 30 metros!


Amanhã vou continuar com o tratamento dos dados da Ling. Tenho andado a tentar descobrir se existe alguma relação entre o movimento de um dos peixes e o ciclo da lua. Não tem sido fácil mas penso que estou no caminho certo.

Sunday, August 20, 2006

Fim de semana de despedidas

Afinal sábado acabou por não ser o último dia. No sábado, depois de termos passado a tarde numa praia, fomos jantar todos juntos e como elas iam à North Shore para umas últimas compras e um dia de praia em Waimea decidi juntar-me a elas.

Hoje, domingo, foi então o último dia. Por esta hora já a Aurora vai num avião a caminho de casa e os holandeses vão na quinta. Foi um dia bem passado, fizémos umas compras por Haleiwa, a "cidade" da North shore, almoçámos por ali e depois fomos para Waimea. Mais uma vez ondas nem vê-las, nem em Waimea nem em Pipeline, Sunset, Alligators e todos os outros "picos". Que confusão...uma faixa de costa tão grande e com tantos "picos" famosos e nem uma pequena onda, estava ainda mais calmo que o Algarve.


Hoje a visibilidade estava impressionante e por isso não resisti e marquei um mergulho para sábado que vem. Na realidade vão ser 2 mergulhos pela módica quantia de 140 dls (pouco mais de 100 €), mas acho que fiz um negócio menos mau. Vão ser dois mergulhos de barco e ainda por cima vêm-me buscar a Coconut. Algum dia ia ter que pagar para mergulhar e não queria deixar o Hawaii sem fazer um mergulho à séria, vamos ver o que me espera...

Saturday, August 19, 2006

Balanço final

Estes dois meses que passei no Hawaii fizeram-me evoluir, não só como cientista (afinal era esse o próposito) mas também como pessoa. Neste capítulo tive que ultrapassar alguns dos meus "problemas", sendo que o principal é a minha timidez inicial. Uma vez que vim sozinho e apenas conhecia 2 pessoas (e muito mal) tive obrigatoriamente que socializar mais rapidamente. E é exactamente esse início que normalmente é mais complicado para mim. Também o facto de partilhar o espaço com mais pessoas me tornou mais tolerante para com algumas coisas. O saber aceitar os gostos dos outros mais facilmente é fundamental quando se está com gente de diferentes costumes. Por vezes até a diferença de idades se fez sentir mas foi necessário ultrapassar estas pequenas coisas para poder levar esta "aventura" da melhor maneira possível.
Como "cientista" acho que ganhei mais confiança nas minhas capacidades e no meu trabalho. Para além disso ganhei também alguns conhecimentos, principalmente na parte de análise dados que era o que mais me interessava, e os sempre necessários contactos. Quem sabe um dia voltarei a encontrar algumas das pessoas por esse mundo fora.

Uma outra coisa que me apercebi e que não tinha noção, é que realmente gosto muito do nosso cantinho à beira mar plantado. Toda a gente ficou com vontade de conhecer Portugal e em especial os Açores. Provavelmente porque raro era o dia em que eu não mencionava as qualidades do nosso País, dos nossos costumes e do nosso povo. Não fui eu que me apercebi disto, foram todos eles que me fizeram ver!

Quanto ao blog, acho que foi uma óptima ideia. Ajudou-me a ter algum contacto com os amigos e a família e vai-me poupar muita conversa quando regressar. Afinal posso sempre remeter as pessoas para o blog. Claro que há histórias que ficaram por contar mas tinha que reservar algumas coisas para contar pessoalmente. Também soube bem ver os comentários de todos vocês. Quase todos os dias vinha ver o blog à procura de novos comentários, normalmente havia sempre um ou outro e isso era como que um pequeno abraço vindo do outro lado do mundo.

Em último lugar queria agradecer à Fundação Luso-Americana por me ter dado esta oportunidade, a todo o meu grupo de trabalho (K-team) por, desde o início, me ter apoiado na
"candidatura" à bolsa, e claro à Rita por acreditar em mim.

Sexta-feira - dia de alimentar tubarões

Sendo que hoje é sexta-feira tive como tarefa alimentar os tubarões. Já nem me lembrava e por isso só o fiz ao fim da tarde.

Durante o dia de ontem e o de hoje li dois livros, ou melhor, reli dois livros. São livros pequenos mas ler é um óptimo passatempo em Coconut, além de que não há muito mais para fazer. Podemos sempre pegar num livro e ir para um cantinho sossegado ler. Reparti as minhas leituras, pela praia, pela "casa de festas", pela mesa à porta das nossas "cabanas" enfim por vários recantos desta ilha. Quanto ao facto de estar a reler os livros, não é coisa que me agrade mas já por duas vezes fui a uma livraria e fiquei sem saber o que comprar. Não sei porque é que isto me acontece mas sempre que vou a uma livraria nunca sei o que hei-de comprar. Por vezes lembro-me que gostava de ler este ou aquele livro mas depois acabo por me esquecer ou então quando me lembro nunca estão disponíveis. Aceitam-se sugestões!

Hoje foi também o último dia da Aurora aqui em Coconut. Agora sim, estou completamente sozinho nestas duas "cabanas". O mais chato é à noite, quando não há muito para fazer para além de ler os jornais portugueses na net e ver o telejornal. Sim, consigo ver o telejornal do canal 1 na net. Não fazia a mínima ideia mas um amigo "emigrante" para os lados da Irlanda informou-me de tal possibilidade. E por vezes até se consegue ver um jogo de futebol, basta que seja à hora habitual do telejornal. Espero que isso aconteça na próxima segunda-feira para poder ver o grande SPORTING.

Agora que toda a gente se foi embora fico a pensar que também gostava de estar a fazer as malas. As saudades aparecem quando não há distrações. Saudades dos amigos, da família, das nossas coisas e do nosso País. As saudades da minha Ritinha já algum tempo que me apoquentam mas essas têm sido acalmadas com algumas mensagens e por vezes umas conversas no Skype.

Mas, por outro lado ainda não quero partir, ainda tenho algumas coisas que quero fazer. Quero ir mergulhar outra vez (vou tentar arranjar uns mergulhos de barco baratos). Quero voltar à North shore e ver com atenção todos os "spots" onde no inverno surgem as grandes ondas. Porque afinal de contas não é todos os dias que se vêm ao Hawaii. Com tantos sítios ainda para ver neste mundo a probabilidade de cá vir parar outra vez não me parece assim tão grande.

Amanhã vai ser o último dia em que vamos estar todos juntos (Aurora, Lian e Casper). Combinámos passar a tarde juntos. Vamos fazer umas apneias num pontão onde costumam estar uns tubarões de pontas brancas e depois dar uma volta pela ilha.

Friday, August 18, 2006

Está tudo de partida

Pois é, amanhã já vou ser o único nestas duas "cabanas". A Aurora vai embora amanhã e os holandeses já foram. Ainda vão ficar por Oahu mais uns dias mas não em Coconut. A Aurora vai embora no domingo e os holandeses só vão dia 25, mas provavelmente ainda vou estar com eles antes de irem embora, até porque já combinámos algumas coisas para este fim de semana. No entanto isto provavelmente significa que vou ficar sozinho até ao dia da minha partida, principalmente depois das 5 pm que é a hora em que quase toda a gente deixa Coconut.

Ontem eu e a Aurora resolvemos fazer uma tarte de maçã. A massa ficou um pouco dura demais mas tirando isso está óptima!


Também tive que dar uso ao leatherman que comprei porque o transformador do meu portátil deixou de dar sinal. Felizmente consegui descobrir onde estava o problema e resolvi-o. Ficou com um pouco de mau aspecto mas funciona. Quando regressar tenho que lhe dar um jeito porque ainda não está a 100%. Fiquei assustado porque já me estava a imaginar "isolado" do mundo durante o resto das 2 semanas que me faltam. É que apesar de ter acesso a computadores nos laboratórios é sempre mais confortável ter o portátil, com acesso à net, sempre à mão.


Afinal não fico assim tão sozinho, estas simpáticas criaturas de certeza que vão continuar por aqui.


Hoje falei, finalmente, com o Kim. Foi um pouco à pressa porque ele já está quase de partida outra vez e como sempre tem muitíssimas coisas para tratar. Desta vez vai a um congresso/workshop na Austrália ( pelo que vi na net pareceu-me interessante) e por isso não o vou ver muitas mais vezes. Em principio vai dar-me uma série de dados para eu tentar ver algumas coisas. São dados relativos à profundidade de vários atuns à volta de um FAD (fish agreggating device). Aparentemente já verificou que existe uma diferença entre os atuns menores que 40 cm e os maiores que 60 cm. Isto é, os mais pequenos ficam mais perto da superfície e os maiores ficam mais fundo. A minha tarefa vai ser analisar os dados individualmente dentro de cada grupo para tentar descobrir se dentro desses grupos também existe separação por tamanhos.

A Ling também me pediu ajuda para a semana. Não só para ir com ela a Hanauma bay buscar alguns dos receptores, o que vai implicar mergulhos, como também para a ajudar a tratar alguns dos dados que ela já tem. Por isso para a semana já tenho pelo menos 2 dias ocupados com trabalho, sem contar com o trabalho nos dados do Kim.

Wednesday, August 16, 2006

Fish market

Hoje finalmente fomos à lota. Como a maioria de vocês já deve ter reparado gosto bastante de ver os peixes nos supermercados e se possível ir às lotas. Claro que melhor ainda é vê-los debaixo de água mas para muitas das espécies isso é mais díficil.


Já há algum tempo que falávamos em ir até à lota mas o problema eram os horários. A lota abre às 5 am mas como os barcos só começam a funcionar, em Coconut, a partir das 7 am tinhamos que arranjar um sítio para ficar fora de Coconut. Para além disso era também preciso arranjar um carro porque para aqueles lados não há autocarros.

Ontem foi possível conjugar todas as coisas. Fomos dormir a casa da Emilie e depois fomos todos (Aurora, Lian, Emilie, Sequoyah e a Jen) no carro dela até lá. Iamos preparados para apanhar algum frio pois supostamente, e como em quase todas as lotas, a temperatura ia estar bastante mais baixa do que o que estamos habituados. Tal não se verificou, quer dizer a temperatura era mais baixa mas estava-se bem de calções e t-shirt, na verdade até soube bem porque hoje está muito calor.


Estava à espera de maior quantidade de peixe mas após uma conversa com um dos compradores percebi que é assim mesmo. A frota de palangre já não é o que era, agora são só cerca de 20 barcos, e as capturas têm vindo a diminuir. No entanto, deu para ver alguns atuns com um tamanho bastante razoável, uns espadartes, wahoo's, dourados, "moonfish" e outras espécies. Também estava à espera de ver alguns tubarões, pois na minha experiência a bordo deste tipo de navios de pesca verifiquei que eram também uma das principais capturas. Mais uma vez o comprador explicou-me que apenas alguns tubarões vêm à lota, caso dos "mako" e dos tubarões-raposa ou zorro (estes últimos não têm qualquer valor nos principais mercados europeus sendo muitas vezes apenas alvo de "finning"). Na véspera tinham sido descarregados alguns mas hoje não estávamos com sorte. Quanto à tintureia ou tubarão-azul, que no Atlântico representa uma grande parte das descargas, aqui não tem valor nenhum. Nem consegui descobrir se apanham em grandes quantidades ou não.


Os atuns mais frescos e mais gordos foram vendidos a mais de 10 dls por pound o que dá mais de 15€ por kg (senão me enganei nas contas). Para valores de lota é bastante alto, principalmente quando comparado com os valores no nosso país.


Depois de termos visto o peixe e alguns dos barcos aproveitámos para ir tomar o pequeno-almoço a um restaurante que fica mesmo na esquina. A especialidade, como não podia deixar de ser, era peixe, e do mais fresco que existe. Para o pequeno-almoço as sugestões que englobavam peixe não eram muitas e por isso acabei por comer uma omelete de peixe. Eu nem costumo comer ovos mas achei que tinha que experimentar e de facto estava mesmo muito bom.



Agora são 10:45 am e já estou em Coconut, à espera que o Kim chegue para ir falar com ele. Ontem voltei a encontrá-lo no barco...parece que é o nosso ponto de encontro.

Tuesday, August 15, 2006

O primeiro milhar de fotografias

Na realidade já atingi o milhar de fotografias há alguns dias no entanto, e dada a falta de melhor para escrever, lembrei-me de vos contemplar com mais algumas imagens. E uma imagem vale mais que mil palavras, certo?

Maui!

Chegámos há pouco de Honolulu. Quando aterrámos em Oahu decidimos ir até casa da Maya, mandar vir sushi e esperar até chegar a hora de ela voltar para o aeroporto para apanhar o vôo de regresso a casa. Era o fim de Coconut island para ela. Quanto às aventuras passadas em Maui segue uma pequena descrição.


Sexta-feira após as apresentações do Casper e da Lian seguimos para Maui. O vôo foi, sem margem para dúvidas, o mais curto que já fiz, estivemos dentro do avião no máximo durante 35 minutos! À chegada era altura de irmos buscar o carro que tinhamos alugado, uma carrinha monovolume de 7 lugares. Para além de mim, dos holandeses (Casper e Lian), as minhas room mates (Aurora e Maya) também vieram a Emilie e o namorado (Sequoyah).




Iamos preparados para acampar mas como não tinhamos a licença necessária eram poucos os parques onde era possível acampar sem a tal licença. Decidimos experimentar um parque que fica perto do cume do maior vulcão de Maui até porque queríamos ir ao topo e dar uma volta pela zona. Quando lá chegámos já era de noite mas o sítio parecia óptimo, rodeado por árvores, longe de tudo e principalmente com muito pouca gente (para além de nós estavam mais 2 tendas).





A noite foi passada à volta da fogueira, à procura das estrelas cadentes (Perseídas), a beber umas cervejinhas e à espera que chegasse a meia noite pois era o aniversário da Lian. Quando a hora chegou apenas eu e o Casper ainda estávamos de pé, mas fizémos questão de acordar a Lian e passado pouco tempo a Aurora juntou-se. Mais para a frente juntámo-nos a um casal de canadianos que tinha uma fogueira maior que a nossa. Eram bastante mais velhos mas apesar disso simpáticos. Até vim a descobrir que a rapariga trabalha numa estância de ski na Suiça, muito perto do sítio onde estive este ano. Falámos em trocar e-mails para eu receber algumas sugestões de estâncias e sítios para ficar mas eles saíram de manhã cedo e tal não aconteceu (para minha grande infelicidade).

Dada a altitude do local, devia rondar os 2000 m, já se sentia algum frio por isso a fogueira soube mesmo bem. O problema foi para dormir! A Emilie e o namorado estavam à parte, tinham uma tenda própria e sacos cama, mas nós outros apenas tinhamos 2 sacos cama e 2 tendas. Devido ao frio que se fazia sentir e como já tinhamos dormido todos (os 5) naquela tenda achámos que o melhor era voltarmos a dormir os cinco para nos mantermos mais quentes. Mesmo assim o frio foi muito!

Acordámos um pouco tarde e como queríamos aproveitar ao máximo os poucos dias que tinhamos em Maui decidimos ir até ao topo do vulcão, dar uma voltinha por ali e seguir para o próximo destino.


A viagem acabou por se revelar ainda mais comprida do que esperado. A estrada (Hana highway - que de highway não tem mesmo nada!!) era magnifica, sempre junto ao mar e com uma vista espectacular. Mas como não se pode ter tudo era também bastante perigosa, no total da estrada há 54 pontes em que só passa um carro de cada vez para não falar nas curvas apertadas sem visibilidade e onde por vezes também só passava um carro. Ainda por cima os americas com a ideia dos carros grandes ainda pioram mais estas situações! Distinguem-se perfeitamente os turistas dos locais, os últimos andam a abrir! Devemos ter demorado mais de 3h para fazer os cerca de 90 km. Durante o caminho, e com a ajuda do precioso Lonely Planet era altura de tentar descobrir um parque onde fosse possível acampar sem ter a licença. Também estávamos dispostos a acampar num sítio que tivesse bom aspecto mas primeiro tinhamos que parar em algum sítio para comprar comida. Ao longo de toda a estrada não existe praticamente nada e por isso tinhamos mesmo que ir até Hana. Foi pena porque passámos por um sítio que tinha mesmo muito bom aspecto.



Quando finalmente chegámos a Hana, que é apenas uma pequena vila onde o "supermercado" é uma loja onde é possível encontrar de tudo, desde fruta, canas de pesca e acessórios, passando por peças de carros e t-shirts, entre muitas outras coisas por vezes com funções ainda por descobrir. Quando vimos um autocolante que dizia "I survived Hana Highway" percebemos que o acidente que presenciámos (um carro saiu estrada fora) não deve ter sido por mero acaso. Pouco depois de sairmos da loja presenciámos um novo acidente, desta vez uma mulher completamente bêbeda foi contra um muro de uma pequena ponte. Fomos ajudar, para ver se estava tudo bem e ela só se queixava que estava tramada, que o marido português ia dar cabo dela! É claro que ninguém referiu que entre nós também havia um.


Mais uma vez chegámos ao parque de noite, após várias paragens no caminho para ver praias e paisagens espectaculares. Mas entre este e o outro parque havia várias diferenças, a começar pela quantidade de pessoas. Era demasiada gente para o nosso gosto mas não havia muito mais a fazer. O sítio era bonito e a temperatura excelente como é normal no Hawaii, excepção feita às grandes altitudes.


No dia seguinte acordámos cedo e fomos fazer uma caminhada que começava mesmo ali. Foram cerca de 5km a pé, por meio de florestas de bamboo, pequenos riachos e lagoas que culminou numa magnifica queda de água com aproximadamente 70 m de altura. O sítio era verdadeiramente fantástico e enquanto lá estivémos não consegui tirar o enorme sorriso que tinha na cara. Valeu a pena aquela caminhada e o banho debaixo da água fria sobe mesmo muito bem visto que já desde 6ª que não me passava por água doce. No fim, e apesar de algum cansaço o contentamento era bem vísivel no rosto de todos nós.


Chegados ao carro era altura de nos pormos a caminho para tentar ir até uma praia e descobrir um sítio para acampar. Chegar a uma praia não foi fácil porque simplesmente não existem acessos por aquele lado. Ainda tentámos por um caminho de terra mas passado algum tempo encontrámos um "local" que nos disse que a única maneira de chegar a uma praia era ir até à próxima cidade e voltar para trás pela estrada que segue junto ao mar. Lá fomos nós percorrer mais uns kms na "nossa" carrinha. Quando lá chegámos fomos parando em várias praias, todas elas com óptimas condições para wind e kitesurf (para meu grande espanto apenas havia 2 kitesurfers, contrastando com os cerca de 60 windsurfers). Como praias não eram das melhores pois tinham muito sedimento em suspensão, o que tornava a água acastanhada, e muitas algas e por isso decidimos ir seguindo a costa à procura de melhor. Deambulámos por ali um pouco, fomos ver um mercado local e mais uma vez socorremo-nos do Lonely Planet para encontrar um sítio para acampar. Uma vez que tinhamos que estar no aeroporto por volta das 11h30 tinha que ser um sítio que ficasse relativamente perto. Descobrimos que mesmo por trás do aeroporto havia um parque mas não tinhamos a certeza se era necessário ter a licença por isso decidimos espera que a noite chegasse para nos dirigirmos até lá. Aproveitámos para ver o pôr-do-sol em mais uma praia espectacular e no fim até vimos duas "eagle-rays" mesmo à nossa frente. À chegada ao sítio escolhido para acampar demos conta que aquele não era um parque "normal". Aparentemente era utilizado por pessoas sem abrigo e havia um ambiente estranho. Procurámos um local e montámos as tendas sem saber muito bem o que se ia passar. Estávamos a menos de 20 m da água, em cima de relva e por baixo de uma bela árvore.


A noite, como sempre, foi passada à volta da fogueira, a contar histórias, beber cervejas e a ver as estrelas. De vez em quando lá passava um vulto no meio das árvores, mas tirando um tipo que se aproximou a dizer que o fogo lhe estava a fazer alguma confusão (parecia completamente drogado), nada mais se passou.

A manhã veio confirmar a maioria das coisas. O pessoal que estava por ali tinha todo um aspecto estranho, a praia e a vista eram espectaculares e como já desconfiávamos tinhamos montado o acampamento fora do parque. Montámos as tendas cerca de 20 metros antes de um sinal que dizia "Camping apenas daqui para a frente".


Como podem imaginar, durante estes dias em que fizémos mais de 400 km por estradas e caminhos espectaculares, passaram-se muitas mais coisas interessantes e com a sua piada. Em parte devido ao cansaço e também porque muitas delas não são fáceis de explanar aqui ficam para quando estiver de volta de uma lareira (ou fogueira).

Quando vinha no barco de regresso a Coconut encontrei o Kim que me disse que nestas três semanas que me faltam vai tentar acompanhar-me mais um pouco. É bom porque acho que também vai ser bastante proveitoso falar com ele sobre as minhas ideias para os projectos entre outras coisas.